SEIS ilustradores iluminam SEIS faces ocultas. Em comum os SEIS têm apenas o Mestrado de Ilustração da ESAP GMR e o remar obstinado contra o fluxo crescentemente homogéneo do universo da ilustração. São SEIS remos que vão fazendo força nesta exposição no Mundo Fantasma, e que dão uma oportunidade de ouvir as suas SEIS vozes destacarem-se, com SEIS timbres diferentes, do murmúrio geral.
(texto de apresentação da exposição que esteve patente até 2 de Setembro de 2012).
Dizem que a Sobrevida é a existência – ou coisa parecida – de quem já não vive neste mundo, mas ainda não encontrou o seu rumo. Da vida real apenas conserva a semelhança. Alimenta-se das suas imagens (venera-as, são o seu amuleto), ronda-as em círculos a cada volta mais distantes do centro. A Sobrevida, diz-se, é uma espécie de revivescência – sensação de vida. Espíritos, espectros, almas penadas perseguem aquilo que já foram, podiam ter sido ou virão a ser (para sempre, nunca mais). Diz-se que da Sobrevida apenas podemos conhecer aquilo que se conta. Diz-se muita coisa e tudo é insuficiente (ainda). De qualquer forma, já cá não está quem falou.”
texto de Carlos Pinheiro e Nuno Sousa apresentando a exposição.
40 das principais canções de Sérgio Godinho, escolhidas pelo próprio e iluminadas por outros tantos ilustradores: de José Brandão a Henrique Cayatte, de Sara Maia a João Maio Pinto, de Cristina Valadas a Jorge Colombo, de Pedro Proença a Teresa Lima, de João Fazenda a André Carrilho, enfim muitas gerações e quase todos os estilos.
Sérgio Godinho, no prefácio: «Ilustrada a música destas quarenta maneiras, percebo agora melhor o que dizem as palavras. A música pura diz tudo sem mostrar nada, e só depois as frases da palavra lhe dão percursos, caras e intenções. Uma canção pronta é indiciada apenas como versão primeira de uma que se irá seguir. Por isso gosto tanto da ideia de versão, onde de repente fica provada a profunda essência plástica de uma melodia e de um verso. É, no limite, uma história sem fim, que se desdobra e se desfia, como o infinito sempre à mão. No caso, a música semeou-se em manchas e riscos, e eu fui descobrindo, atónito, as novas caríssimas versões das minhas inesperadas canções. Sinto-me brindado, e orgulhoso por ser o veículo em que se mostra o ardor criativo da ilustração portuguesa. Em plurais viagens, quarenta porque não há lugar para mais.»
João Paulo Cotrim, no prefácio: «As boas canções são pedras atiradas à superfície dos nossos dias: perturbam a falsa tranquilidade do reflexo espelhado de céu, mergulham até tocarem os nervos de coral por onde nadam os nossos desejos e os medos de muitas cores, inauguram assim o tsunami que nos fará tremer muitos anos depois. As boas canções são intemporais, mesmo acabadas de gravar têm a maturidade de séculos e falam-nos ao ouvido do único tempo que importa: o presente. Quarenta anos ou mais se podem encontrar em cada canção de Sérgio Godinho, os minutos todos enrolados num novelo, que ora fica na garganta ora nos desce aos punhos, pedras que desatam a série de ondas concêntricas da memória que ainda agora está por nascer. Neste projecto melómano, a data fez-se apenas pretexto, ajudou a encontrar o número exacto de olhares a convocar. Os ilustradores também caminham sobre fina camada de gelo, em busca de lugar seguro onde pôr o pé de modo a seguir em frente, vendo para além do nevoeiro, ou seja, iluminando. No íntimo destas letras, e para além das ideias, sobra um caleidoscópio de imagens: um pequeno movimento, suscita outro olhar, e logo nova imagem.
(textos de apresentação da exposição que esteve patente até 29 de Abril de 2012).
«É a voz vermelha da morte que vai uivar esta noite.»
A vida da pequena Sem-Olhos torna-se uma tragédia quando a mãe determina que ela seja iniciada num sangrento rito tradicional, mas ainda mais doloroso é o grande segredo da família, oculto no passado, que duas personagens misteriosas irão desmascarar. Será que Sem-Olhos é apenas uma criança ou poderá ser um pequeno deus sobre a terra? Escrita por David Soares (Batalha, O Evangelho do Enforcado, A Conspiração dos Antepassados) e desenhada por Pedro Serpa (Histórias em Busca de Uma Alternativa), O Pequeno Deus Cego é uma história alegórica, de contornos herméticos, passada numa fabulada China ancestral. Filosófica e visceral, em simultâneo, é uma banda desenhada que irá resgatar o leitor das trevas para a luz.
(texto de apresentação da exposição que esteva patente até 26 de Fevereiro de 2012).
Exposição de ilustrações e esboços de José Manuel Saraiva que possibilita ao espectador desvendar parte do processo criativo do projecto para a antologia poética Cesário Verde, publicada pela Faktoria K de Livros.
(texto de apresentação da exposição que esteve patente até 4 de Dezembro de 2011).